sábado, 15 de outubro de 2011

Oração da Terra


Ô chuva
Reggae meu jardim
O semeie com jasmim
E traga meu amor pra mim

Ô vento
Sopre meus poemas
O leve as serenas
E faça meu amor voltar

Ô lua
Que tua luz me guie
E me livre dos caminhos
Que não posso andar

Oh oh oh oh oh

Ô céu
Me mostre a direção
Daquele coração
Onde já não posso entrar

Ô mar
Deixe-me banhar
Me regenerar em suas águas
E depois sonhar

Ô Sol
Me aqueça o coração
Me livre a tentação
Propague o amor e a paz

Dé Sant'a Fé

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Amor de Mãe


“Também, só elas, só as mães, podem servir a tão delicado mister. O que se lança ao peito da amante desde logo arde e evapora, porque aí o fogo é por demais intenso; o que se atira ao de um estranho gela-se de pronto na indiferença e na aridez; mas, tudo aquilo que um filho semeia no coração materno – brota, floreja e produz consolações. Neste não há chama que devore, nem frio que enregele, mas um doce amornecer, suave e fecundo, como a tepidez de um seio intumescido e ressumbrante de leite”.   

Este trecho foi tirado do livro Casa de Pensão (Aluísio Azevedo).

Na minha concepção, uma das maiores “definições” de amor de mãe.  

Dé Sant'a Fé 

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Bate um coração

Bate sino
Bate pino
Bate porta
Bate boca

Bate leva
Bate volta
Bate saudade
Bate e não cai

Bate chora
Bate cora
Bate bota
Bate bola
Bate sola

Bate vai
Bate vem
Bate em
Bate sem

Bate
Bate quem
Bate trem
Bate, bate

Bate, bate.
Bate, bate.
Bate, bate.
Bate, bate.

Bate, bate.
Bate, bate.
Bate, bate.
Bate, bate.

Bate um coração.

Santa Fé

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A música salvou minha vida.

Escrever.
Faz bem a quem lê.
A mim, não sei.

Pois donde tiro inspiração,
Donde habita este furacão,
Donde guarneço o tecido mais fino,
Donde nenhuma primavera a de superar.
Tão íntimo, intrínseco e fundo,
É donde meus demônios residem,
E insistem em me amedrontar.

Felicidade.
Faz bem a quem têm.
A mim, também.

O poeta,
O palhaço das letras.
Tão triste, existe.

Dinheiro,
Pedaço sujo de papel.
Passa de mão em mão.
Não mora em nenhum lugar.

A paz,
Fugaz.
Sujeito de sorte àquele que na infância teve paz.
Hoje, jamais.

A música.
A música..
A música...
Salvou minha vida.

Dé.

sábado, 24 de setembro de 2011

Sonhos, parte I.

Hoje me perdi num sonho daqueles de tirar o fôlego.
Donde fui tão feliz, donde não volto mais.

Confesso-vos.

Estava sob efeito do álcool.
A cabeça feita. Embriagado de coragem.
Puro.

Em mãos, as solvências dos meus enigmas.
Que tanto me afligem.

Àquele copo de uísque mudou toda história.

Contornei a ponte e quando dei por conta,

Estava lá.
Tudo no mesmo lugar.
Como se o tempo,
Não houvesse de passar.

A luz acesa.
A sala vazia.
O cachorro acordado,
Mas nada fazia.

As mãos, trêmulas.
A boca, seca.
O tato,
Inexistente.

O Algoz,
Ali,
Olhando pra mim.

O caçador.
Eu, a caça.
A raspa.
A casca.

Por fim, a faca.

Cerrei os pulsos.
Ferrei.
Ferido.
Só eu, fiquei.

Ao despertar,
Nada pude comentar,
Pois naquele lugar,
Já não posso entrar.

Dé.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Bem-Te-Vi



Bem te leve para longe daqui
Bem te leve para outro lugar
Bem-Te-Vi me acorde ao sair
Bem-Te-Vi me ensine a voar

Me diz a cor das violetas
Me conte o segredo do João de Barro
O grão de orvalho, a gota de chuva
O amor que não finda em qualquer rua

Dé

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Trem das Quatro

O dia passa
na tua frente
lentamente

E de repente
te queima a mente
o sol ardente

E toda gente
tão negligente
se faz pungente

E segue em frente
toda contente
e Indiferente

E remitente
o ausente
está presente

Dé

domingo, 18 de setembro de 2011

Trem das três

Fio de luz
Final de dia
A jangada
Ancorada

Em casa
Um quadro
A natureza
Morta

Um cigarro
Apagado
Um som
Quadrado

Eis que
Passo a mão
Nu, num copo
De uísque, barato

O copo
Trincado
O beijo
Amargo

A jangada?
Lá fora

O cigarro?
Apagado

Um porta retrato
Que nada portava
Um armário velho
Que nada guardava

A parede branca
A tinta trincada
O piso frio
Á água gelada

O Som?
Quadrado

A Música?
Gravada

O livro
Em branco
O conto
Troiano

A cama
Vazia
O Ouro
Não tinha

A chuva
Rala
A goteira
Na sala

A mulher
Amada
Nos braços
De outrem

Um dia morre
Outro nasce

Acordo
Cedo
Saiu
Logo

O dia passa
Rápido
E logo
Acaba

Fio de luz
Final de dia
A jangada
Ancorada...

Front S.A



Não se menospreze, jamais.

Os caminhos são diferentes, e dinheiro nada significa.

Mais vale um sonho e um grande amor.

Sigo adiante.
Dé.

Grito


Minha espada
É minha voz

Meu escudo
A palavra

Desafina
Mas não acovarda

Dé
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