terça-feira, 25 de outubro de 2011

Sono





O sono, 
Finda todas minhas inquietações que,
no dia seguinte, ao despertar da pestana,
Renascerão.

Dé Sant'a Fé

domingo, 23 de outubro de 2011

Trecho do livro que estou escrevendo.


A flor de lis
Que desenhei com giz

As noites de março
Que desenhei no quarto
Escuro


Me esqueceram de avisar
Que o trem partiu
E me deixou ficar

Agora tarde
Eu me perdi
Me confundi no teu olhar

...
Os panos claros
Que pendurei nos quadros

As partituras
Que aprendi nas ruas
Tinham...

O amornecer  
E a tontura
Visceral

...
Agora só
Me resta te amar

sábado, 22 de outubro de 2011

Viver não dói

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana, que gerou
em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.

Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projecções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor
e não conhecemos,
por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado,
e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados,
pela eternidade.

Sofremos não porque
nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada
em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras
nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e
nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido?

A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!

A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.

O sofrimento é opcional.

Carlos Drummond de Andrade

É correto impedir a eleição de analfabetos?

Entendo o analfabetismo como um problema de saúde pública. Partindo desta premissa, que moral o estado tem para impedir a elegibilidade de um analfabeto?

Um governo que não oferece educação básica à grande massa, não tem moral nem argumentos para impedir a elegibilidade de um analfabeto.

Considero que, o estado enquanto responsável pela formulação de leis e diretrizes de um país, seja, na íntegra, a causa e o efeito no que refere-se à educação, bem como a saúde e etc.

Portanto, é deveras incoerente e paradoxal, impedir que “tiriricas” possam concorrer e usufruir de cargos públicos.

Ainda, saliento que, sofremos do pior tipo de analfabetismo, o funcional. E um país de analfabetos funcionais, também não tem moral suficiente para se colocar a favor do impedimento.

Particularmente, serei contra a elegibilidade de analfabetos, a partir do momento que os “tiriricas” representarem um por cento do nosso povo. Todavia, enquanto for um número altamente representativo, continuarei sendo a favor. Um povo precisa de representantes com a sua cara.

Finalizo com uma analogia grosseira e barata. Impedir a eleição de analfabetos seria o mesmo que impedir as negras de desfilarem nas escolas de samba. O analfabetismo no Brasil, além de ser um problema de saúde pública, é cultural.

Obrigado,
Dé Sant’a Fé.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O amor que recordei sozinho


Quanto tempo faz
Àquele coração
A palma da tua mão
O beijo no mirar

Teus olhos negros
Em direção ao mar
Nos jardins tão verdes
Um oceano a navegar

Meu corpo cálido implora
Um pouco mais do que esmola

Meu corpo nu sem direção
Aguarda anseio por um coração

No teu silêncio
Onde crio meus castelos
Onde a tenho por perto
Onde ninguém te tira

No teu corpo
Entranhei-me
Deixe-me aqui
Este mês

Quero estar acordado
Quando você abrir a porta

E precisar falar comigo

O amor que recordei sozinho...

Fim

Dé Sant'a Fé

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Rapidinha.

O corpo pede
A cabeça nega
A régua mede
A flor se rega

O amor se ganha
O medo se perde
O beijo assanha
A alma ferve

Dé Sant'a Fé

sábado, 15 de outubro de 2011

Oração da Terra


Ô chuva
Reggae meu jardim
O semeie com jasmim
E traga meu amor pra mim

Ô vento
Sopre meus poemas
O leve as serenas
E faça meu amor voltar

Ô lua
Que tua luz me guie
E me livre dos caminhos
Que não posso andar

Oh oh oh oh oh

Ô céu
Me mostre a direção
Daquele coração
Onde já não posso entrar

Ô mar
Deixe-me banhar
Me regenerar em suas águas
E depois sonhar

Ô Sol
Me aqueça o coração
Me livre a tentação
Propague o amor e a paz

Dé Sant'a Fé

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Amor de Mãe


“Também, só elas, só as mães, podem servir a tão delicado mister. O que se lança ao peito da amante desde logo arde e evapora, porque aí o fogo é por demais intenso; o que se atira ao de um estranho gela-se de pronto na indiferença e na aridez; mas, tudo aquilo que um filho semeia no coração materno – brota, floreja e produz consolações. Neste não há chama que devore, nem frio que enregele, mas um doce amornecer, suave e fecundo, como a tepidez de um seio intumescido e ressumbrante de leite”.   

Este trecho foi tirado do livro Casa de Pensão (Aluísio Azevedo).

Na minha concepção, uma das maiores “definições” de amor de mãe.  

Dé Sant'a Fé 

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Bate um coração

Bate sino
Bate pino
Bate porta
Bate boca

Bate leva
Bate volta
Bate saudade
Bate e não cai

Bate chora
Bate cora
Bate bota
Bate bola
Bate sola

Bate vai
Bate vem
Bate em
Bate sem

Bate
Bate quem
Bate trem
Bate, bate

Bate, bate.
Bate, bate.
Bate, bate.
Bate, bate.

Bate, bate.
Bate, bate.
Bate, bate.
Bate, bate.

Bate um coração.

Santa Fé

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

A música salvou minha vida.

Escrever.
Faz bem a quem lê.
A mim, não sei.

Pois donde tiro inspiração,
Donde habita este furacão,
Donde guarneço o tecido mais fino,
Donde nenhuma primavera a de superar.
Tão íntimo, intrínseco e fundo,
É donde meus demônios residem,
E insistem em me amedrontar.

Felicidade.
Faz bem a quem têm.
A mim, também.

O poeta,
O palhaço das letras.
Tão triste, existe.

Dinheiro,
Pedaço sujo de papel.
Passa de mão em mão.
Não mora em nenhum lugar.

A paz,
Fugaz.
Sujeito de sorte àquele que na infância teve paz.
Hoje, jamais.

A música.
A música..
A música...
Salvou minha vida.

Dé.
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